O coração delator de Poe

“Uma história narrada por um louco que, como todos nós, pensava ser são”. É com essa frase que nos é apresentado O Coração Delator (The Tell-Tale Heart), o primeiro curta de animação recomendado “para maiores de 18 anos”. Lançado em 1953,  ele é inspirado no conto de mesmo nome escrito por Edgar Allan Poe.

Conhecido por sua habilidade para criar universos misteriosos e macabros, Poe é um dos grandes mestres do drama e do suspense. Sua obra já inspirou uma série de adaptações cinematográficas e, The Tell-Tale Heart, rendeu à UPA Productions uma indicação ao Oscar de Melhor Curta-metragem de Animação.

Como no conto sombrio de Poe, o curta traz a narração de um pensionista que conta como precisou matar seu senhorio que tinha um “olho maldito”. O assassino nunca é visto, mas sua presença é marcada por ameaçadoras sombras e pela crescente tensão. Assista abaixo (com legendas em português):

O conto que inspira a animação pode ser lido clicando aqui.

Cérebro-biblioteca

Entre a neurociência e a psicanálise, a humanidade ainda vê o cérebro como um verdadeiro mistério. Como guardamos nossas lembranças, aprendizados, informações? O estudante chinês Yu Ming imaginou nossa mente como uma enorme biblioteca –  que armazena memórias como se fossem livros.  Com uma trilha hipnótica e enigmática, ele criou um curta de animação sobre essa ideia. Dentro da biblioteca tudo é rico e colorido,mas no exterior o mundo se apresenta cinza e sem a menor graça. Entre a quantidade de livros, o subconsciente fica guardado nas prateleiras mais escondidas. Veja o vídeo:

Minha amiga árvore

Muito antes de Spike Jonze criar uma história de amor em um mundo absoluto na adaptação futurista de A Árvore Generosa, livro infantil de Shel Silverstein lançado em 1964, a obra chegou às telas em uma animação.

No curta-metragem de 10 minutos, o próprio autor narra a história que já foi traduzida para mais de trinta línguas. Também tem participação na trilha sonora – é ele que toca a gaita que confere clima melancólico ao curta. No livro e no filme, sempre que vai à floresta, um garotinho visita sua amiga árvore, que lhe fornece tudo: maçãs para comer, galhos para se balançar, uma sombra sob a qual pode descansar. Conforme o menino cresce, começa a exigir mais de sua amiga, que lhe ama e sempre atende seus pedidos, cada vez mais egoístas.

Confira como a história acaba:

Uma noite na livraria

Meia-noite parece ser uma boa hora para visitar bibliotecas e livrarias. Antes de Spike Jonze contar uma história de amor inusitada entre personagens de livros diferentes que ganhavam vida no meio da madrugada, a Warner Bros e a Merrie Melodies também denunciou o que realmente acontece durante nos – aparentemente inocentes – corredores cheios de livros.

O curta Have you got any castles? foi lançado em 1938. Nele, as capas de livros se divertem ao badalar das doze horas:

Assim como no filme de Jonze, os hormônios dos personagens estão a mil no curta Book Revue. Lançado em 1946, ele foi considerado um dos 50 melhores desenhos de todos os tempos por um grupo de mil profissionais de animação em 1994.

(via Open Culture)

Margarita

Uma jovem princesinha abandona sua vida extraordinária para buscar seu brilhante sonho. Essa é a história do curta belo curta Margarita, dirigido por Alex Cervantes do Hampa Studio, que se destacou em festivais de cinema latino-americanos em 2010.

Cheia de lirismo e poesia, a animação é inspirada no poema de mesmo nome do poeta nicaraguense Rubén Dario, conhecido como o“príncipe de las letras castellanas“. Como nos versos, Margarita é a alegre garotinha para quem é contada a aventura da princesa e de sua estrela.

Assista abaixo:

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Os versos do poeta podem ser lidos abaixo:

A Margarita

de Rubén Dario

Margarita, está linda la mar,
y el viento
lleva esencia sutil de azahar;
yo siento
en el alma una alondra cantar:
tu acento.
Margarita, te voy a contar
un cuento.
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O homem com olhos bonitos de Charles Bukowski

Com a direção do animador inglês Jonathan Hodgson e ilustrações de Jonny Hannah, o curta abaixo, feito em 1999, apresenta o poema “The man with the beautiful eyes”, de Charles Bukowski:

Este não é o primeiro curta a utilizar um poema de Bukowski como base. Há cerca de um mês, o Pra Ler apresentou uma linda animação feita a partir do poema “Bluebird“.

Clique no Continuar a Ler e veja o poema “The man with the beautiful eyes”, em inglês.

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Luz, câmera e Mark Twain

Segundo Faulkner, o escritor Samuel Langhorne Clemens é “o pai da literatura americana”. O autor, mais conhecido pelo peseudônimo “Mark Twain”, com certeza fez por merecer o título. Responsável pelos grandes clássicos As Aventuras de Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn, Twain era admirado por sua perspicácia e estilo satírico.

Em 1909, Mark Twain foi visitado em sua casa pelo famoso inventor Thomas Edison, que filmou o autor com suas filhas, Clara e Jean. O pequeno vídeo, em preto e branco e sem som, é um dos únicos registros que se tem de Twain, que morreu no ano seguinte.

O vídeo, divulgado pelo crítico de cinema Roger Ebert, pode ser visto abaixo:

George Orwell na telinha

Entre provas atrapalhadas e polêmicas na televisão, pouca gente se lembra que o controverso BBB faz referência à obra 1984, de George Orwell – o que, convenhamos, deve deixar o autor bem inquieto em seu lugar de descanso eterno. No clássico livro do autor britânico, o Big Brother é um ditador supremo que observa a tudo e a todos. Mas, antes de “inspirar” reality shows, os livros de Orwell serviram como base para adaptações para TV.

1984 foi publicado em 1949 e, em 1954, foi levado à telinha pela BBC. Em apresentação ao vivo, tinha cenas consideradas subversivas e chocou a sociedade britânica. Apesar de toda a confusão, a BBC resolveu levar ao ar uma segunda apresentação, gravada em 35mm. O filme, de 1h47min, pode ser assistido abaixo:

Outra obra polêmica de Orwell, A revolução dos bichos, também foi adaptada, dessa vez, em forma de longa-metragem de animação. Depois de quase não chegar às livrarias – o manuscrito sobreviveu a um bombardeamento nazista durante a Segunda Guerra Mundial, e chegou a ser recusada em uma editora por razões políticas – o livro foi lançado em 1945, e sua versão animada em 1954.

Assista abaixo:

Ele está vivo!

“O ontem do homem talvez jamais seja como o seu amanhã: nada perdura, a não ser a instabilidade”. A frase, retirada do livro Frankenstein, talvez não faça jus à sua própria permanência. A história de Victor Frankenstein, estudante de ciências naturais que constrói um monstro em seu laboratório, foi escrita por Mary Shelley entre os anos de 1816 e 1817, quando a jovem tinha apenas 19 anos. A versão definitiva do livro foi publicada em 1831, e influenciou a cultura e todo o gênero de terror.

No cinema, a obra vem inspirando adaptações praticamente desde sua invenção. Em 1910, J. Searle Dawley assinou roteiro e direção do primeiro filme baseado no livro de Mary Shelley. O curta de 12 minutos foi filmado no Edison Studios, empresa do famoso inventor Thomas Edison, que supostamente deu uma mãozinha no filme que pode ser assistido abaixo:

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Mais recentemente, a obra inspirou filmes como O jovem Frankenstein, comédia dirigida por Mel Brooks em 1974 com Gene Wilder no elenco, e também o drama de Kenneth Branagh, lançado em 94, e que contava com Robert De Niro no papel principal. E Hollywood parece mesmo empenhada em trazer o monstro de volta à vida. Outras novas adaptações da obra de Shelley estão em produção atualmente. I, Frankenstein trará Aaron Eckhart e Bill Nighty no elenco de filme conduzido por Stuart Bettie, roteirista de Piratas do Caribe, e tem estreia prevista pra fevereiro de 2013. O filme é adaptação dos quadrinhos de mesmo nome, da Darkstorm Comics, que trazem uma visão moderna da obra britânica.
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Na corrida para lançar sua adaptação da história, a Fox anunciou recentemente que Frankenstein deve ser levada às telonas em 2014 pelo diretor de Uma noite no museu, Shawn Levy, e vai tratar de amizade e redenção. O ex-garotinho de O sexto sentido, Haley Joel Osment, pode também viver Victor Frankenstein nos cinemas, em adaptação dos quadrinhos Wake the Dead, de Steve Niles (30 Days of Night), dirigida por Jay Russell (Brigada 49). A produção estava na liderança quando foi dada a largada, tendo estreia prevista para 2012, mas a falta de novidades indica que os outros projetos devem sair na frente.

Quero ser Vincent Price

vincetVincent Malloy tem sete anos de idade, e é sempre muito educado e obediente – alguns diriam até que ele é atencioso e agradável. Mas tem um sonho inusitado: queria ser como Vincent Price, ator norte-americano de clássicos filmes de terror. É assim que Tim Burton nos apresenta o personagem principal de Vincent, lançado em 1982.
O curta-metragem é o primeiro trabalho em stop-motion do diretor de A Noiva Cadáver O Estranho Mundo de Jack. Narrado em versos e rimas pelo próprio Vincent Price, o curta de Burton presta homenagem aos mundos sombrios dos livros de Edgar Allan Poe e à filmografia do ator, que fizeram parte de sua infância e influenciaram sua obra.
Assista abaixo ao filme: