Casamento gay nos quadrinhos

Riverdale jamais será a mesma. A pacata cidade dos Estados Unidos – palco dos quadrinhos da série Archie – festejou recentemente seu primeiro casamento gay. A HQ, uma das mais famosas do país, existe há quase sete décadas. Os gibis focam nas aventuras dos jovens Archie, Betty e Veronica e uma das últimas edições narrou o casamento do primeiro gay da série, Kevin Keller. O personagem entrou para o universo de Archie em 2010 e gosta de tocar em outras polêmicas para conterrâneos de Tio Sam. Keller é veterano da Guerra do Iraque e conheceu seu marido, um fisioterapeuta negro, enquanto se recuperava de um ferimento de combate.

A união entre dois homens nos gibis arrepiou os conservadores. A Associação de Famílias Norte-Americanas One Million Moms for Toy R Us pediu que as vendas dessa edição, que esgotou no país e já está no exterior, fossem suspensas. As “preocupadas” mães alegaram que a revista acelera prematuramente um debate sobre orientação sexual com as crianças.

O co-presidente-executivo da Archie Comics, Jonh Goldwater, rebate dizendo que a empresa apoia a história de Kevin Keller e que cada um tem direito a sua opinião. Segundo ele, ”Riverdale é um lugar seguro e acolhedor que não julga ninguém. É uma versão idealizada do que venha a se realizar na América algum dia”. Pelo jeito, para isso ainda falta um bocado.

Aliens em The Walking Dead?

Por pouco a história de apocalipse zumbi não foi suficiente para emplacar a série The Walking Dead. Quando Robert Kirkman apresentou seus quadrinhos à Image Comics, a editora pediu um diferencial. A solução do roteirista foi incluir ETs à trama. A proposta era de mortos-vivos reanimados por uma raça alienígena para destruir o planeta. Com os invasores espaciais, a Image topou publicar a HQ. Kirkman, porém, confessa que jamais pensou em usar a ideia e conseguiu driblar a editora. Segundo ele, uma narrativa assim seria tão trash e rocambolesca quanto o filme Plano 9 do Espaço Sideral, clássico do cineasta Ed Wood.

Além dos extraterrestres, outro que não participou do sucesso de The Walking Dead foi o desenhista Tony Moore. Ele esteve presente nas seis primeiras edições do gibi – que ganhou o nome de Os Mortos-Vivos no Brasil – entre 2003 e 2004 e continuou assinando as capas por 24 edições. Depois disso seguiu carreira em outra empresa e foi sucedido pelo inglês Charlie Adlard, que está até hoje.

Moore, que não botava fé na adaptação televisiva, agora está insatisfeito com sua fatia dos lucros. O desenhista alega que houve coação de Kirkman, seu amigo desde a adolescência, para assinar um contrato duvidoso e deixar o ex-parceiro com apenas 20% dos ganhos. O sucesso na TV ajudou a alavancar The Walking Dead nos quadrinhos. O gibi, que já têm 15 coletâneas lançadas, foi líder de venda nas comic shops norte-americanas em 2011. Os recordes de audiência também já garantiram uma terceira temporada à série. E, se depender do advogado de Kirkman, Tony Moore seguirá ganhando a mesma fração desse sucesso.

Boom de biografias em quadrinhos

A trajetória de Fidel Castro através dos olhos de um repórter alemão que cobre a Revolução Cubana. Ou a vida de Pablo Picasso contada por uma de suas amantes francesas. Essa mistura de ficção e realidade resultou em dois tipos de narrativas bem diferentes – biografias em quadrinhos. A novidade tem feito grande sucesso na França e chega aos poucos ao Brasil.

A biografia do ex-líder cubano, criada pelo alemão Reinhard Kleist, chegou recentemente ao nosso mercado pela editora gaúcha 8Inverso. A história retrata a luta de Fidel com seu irmão Raúl, Che Guevara e Camilo Cienfuegos sem se render aos estereótipos mais comuns. O calhamaço de 285 páginas traz um texto sério, mas também se permite humor em algumas passagens, como ao falar dos atentados contra Fidel Castro. O cenário da ilha foi descoberto por Kleist anos antes durante uma viagem. A narração em Castro fica por conta de um jornalista alemão imaginado – curiosamente batizado de Karl – que vai à Cuba para cobrir a implantação do comunismo após a queda de Fulgêncio Batista em 1959.

Não é a primeira vez que Reinhard Kleist se aventura nesse ramo – que ganhou o apelido de biograficafias na França. Em 2006, ele já havia publicado a história do músico norte-americano Johnny Cash em gibis. Os quadrinhos sobre o cantor focam no marcante episódio em que ele se apresentou dentro de uma penitenciária californiana no fim da década de 60.

Na Europa, as biografias em quadrinhos estão cada vez mais populares. Além da história de Picasso, feita pelo desenhista Clément Obrerie e pela roteirista Julie Birmant, a escritora Virginia Woolf e o psicanalista Sigmund Freud também ganharam sua versão em desenho pelos traços de outros autores. No romance gráfico Pablo 1. Max Jacob não foram usadas imagens de suas telas porque isso encareceria o produto final com custos de direitos autorais. A narrativa, que deve ser lançada em breve no Brasil, é centrada nos primeiros anos do artista na capital francesa. A HQ é narrada por Fernande Olivier, modelo que foi amante de Picasso, e também retrata o esplendor do bairro parisiense de Montmartre no começo do século passado.


Novo livro de J. K. Rowling

Já se passaram quase cinco anos desde o lançamento do último livro da saga Harry Potter. Desde então, a autora J. K. Rowling tem se dedicado ao bruxinho, seja com a finalização dos filmes ou com o lançamento do site Pottermore. Porém os fãs nunca perderam a esperança do anúncio de um novo livro. Para essas pessoas, hoje é o grande dia.

De acordo com o site da agência literária The Blair Partnership, Rowling lançará um novo romance, voltado para adultos. Ainda não foram divulgadas informações sobre o projeto, mas, segundo um bilhete da autora no site, apesar de ter se divertido tanto quanto durante a série Harry Potter, o próximo livro será completamente diferente do que ela já escreveu.

As novidades serão anunciadas ao longo do ano. Resta aos fãs aguardarem ansiosamente.

Hitler nos quadrinhos e no cinema

Ele já morreu tantas vezes nos filmes e nos livros, que até dá para perder a conta. E o famoso ditador do Terceiro Reich vai chegar às telonas outra vez. I killed Adolf Hitler, graphic novel do cartunista norueguês Jason deve ganhar uma adaptação cinematográfica.

A história criado pelo desenhista, também conhecido como John Arne Sæterøy, ganhou o prêmio Eisner de 2007 com seus traços minimalistas. O Studio Eight comprou os direitos da HQ e a Fantagraphics, editora dos quadrinhos, anunciou que D.C. Walker vai escrever o roteiro. A trama é sobre um assassino que enfrenta dificuldades após uma viagem até 1938 para exterminar Hitler. Quando o líder austríaco vai para o futuro e deixa seu assassino para trás, o problema fica ainda maior.

Protagonizado por animais antropomórficos, não há informação se a versão do cinema vai seguir a linha de As Aventuras de Tintim, com captura de movimentos. Ainda é cedo para afirmar sobre a produção, mas o longa só deve ficar pronto em 2013 ou 2014.

Mapa dos concursos literários no Brasil

O único livro que Fernando Pessoa publicou em vida foi Mensagem, que ficou em segundo lugar em um concurso literário. Difícil imaginar quem deixou o poeta português com a medalha de prata. O que acontece é que nem sempre essas disputas correspondem ao sucesso dos participantes do futuro. Apesar das eventuais falhas, concursos literários ainda são boas portas para que novos autores entrem no mercado editorial.

Existe no Brasil mobilização para que competições dessa natureza entrem no Plano Nacional do Livro e da Leitura, porém ainda não houve grandes avanços. A ideia é fazer parcerias com empresas, secretarias, editoras e entidades públicas para fortalecer essas iniciativas.

O blog concursos-literarios.blogspot mapeou as premiações desse tipo no país. Como esperado, o Sul e o Sudeste concentram mais oportunidades.. O mesmo ocorre com as cidades maiores em relação aos locais pequenos. Veja onde pode ser mais fácil ganhar reconhecimento por sua obra:

A ficção que previu a Primavera Árabe

As ditaduras caíram como dominó e o povo tomou as ruas clamando por liberdade.  O ano de 2011 já entrou para a história como a época em que árabes quebraram o silêncio. Além de sociólogos ou analistas políticos, a ficção também antecipava o movimento rebelde que invadiria essas nações.

Prova disso é a lista deste ano do Prêmio Internacional da Ficção Árabe. A iniciativa, idealizada por intelectuais da região e arabistas ingleses, reúne mais de 100 títulos a cada edição. Nos últimos cinco anos o principal patrocinador da honraria é uma fundação dos Emirados Árabes. O prêmio serviu para aquecer o mercado editorial e o nível de leitura nesses países, que não andavam na melhor fase. Na edição de 2012, são seis obras indicadas:

The unemployed (O desempregado, em tradução livre) – A história, assinada pelo egípcio Nasser Iraq, conta sobre um jovem recém saído da universidade que acaba se tornando garçom. Oprimido pelo pai e triste com o desemprego, Mohammad Zabal tem impotência sexual e vê sua auto-estima ir para o fundo do poço. O personagem representa uma geração sem perspectivas e descontente com o Estado.

The Women of Basateen (As mulheres de Basateen, em tradução livre) – O romance do tunisiano Habib Selmi retrata um pouco da vida de Basateen, um distrito de classe média da capital Tunis. O contexto revela insatisfação econômica e social, que contribui para o crescimento da religiosidade.

Druze of Belgrade (Druso de Belgrado, em tradução livre) – A primeira novela libanesa da lista foi escrita por Rabee Jaber. A trama retorna a meados do século XIX. Nessa época, centenas de drusos – uma restrita minoria religiosa na Síria e no Líbano – foram enviados pelos otomanos a prisões em Belgrado. A trama conta ainda o declínio dos otomanos e a ascensão das forças européias.

The Vagrant (O Vagabundo, em tradução livre) – O segundo libanês da seleção, idealizado por Douaihy Vagrant, tem uma abordagem mais contemporânea. A história traz identidades religiosas conflitantes e o peso da guerra civil no país. O personagem principal é um muçulmano criado em uma família cristã. Com a eclosão da guerra, ele não sabe de que lado se posicionar.

Toy of fire (Brinquedo de fogo, em tradução livre) – O argelino Bashir Mufti pinta um cenário de sangue e destruição na guerra civil que sucedeu o governo militar no país, período em que os generais comandaram com mãos de ferro.

Embrace on Brooklyn Bridge (Abraço na Ponte Brooklyn,, em tradução livre) – O segundo egípcio na premiação é de Ezzedine Choukri Fishere. O drama gira em torno de um professor da Universidade de Nova York que deixou Cairo spód perder a esperança em seu país por conta da situação política. Quando ele descobre que está perto de morrer de câncer, o protagonista deseja reunir a família e os amigos.

Carnaval em versos

A poesia vai fazer a festa no carnaval belorizontino deste ano. O 6º Festival de Verão da UFMG tem como tema a “folia da poesia”. A ideia é incorporar a literatura às demais áreas do conhecimento e assim mostrar o papel de formação que a cultura desempenha na sociedade e a importância dessa formação para um mundo melhor, onde a poesia possa fazer parte do cotidiano das pessoas.

Todos os anos, o Festival de Verão da UFMG oferece aos moradores da capital mineira uma programação cultural alternativa às tradicionais atividades carnavalescas. Shows, sessões de cinema e espetáculos teatrais são algumas das atrações. Além, claro, das já famosas – e concorridas – oficinas. O Festival será realizado do dia 17 ao dia 21 de fevereiro. As inscrições para os cursos e workshops podem ser feitos a partir de hoje. Para conferir a programação, acesse www2.ufmg.br/festivaldeverao.

Top 100 heróis dos quadrinhos

O ilustrador grego Ilias Kyriazis mostrou que não é fã de um super-herói, mas de todos. Ele fez uma grande homenagem ao Universo Marvel: um desenho com cem personagens da editora. A imensa tira está exposta atualmente na Midtown Comics, uma das mais conhecidas lojas comic de Nova York. São nove metros de rostos bem conhecidos dos apaixonados por quadrinhos.

O artista já tinha feito um trabalho parecido com a DC Comics, com 30 de seus personagens prediletos. Kyriazis é famoso na Grécia pelas séries de comics Blood Opera e Manifesto. Veja o seu trabalho.

Dos delírios às imagens

"Levare" ficará exposta na Galeria de Arte do Fórum Lafayette até 7/3

Paraísos Artificiais, obra de Charles Baudelaire, leva o leitor a viajar pelos efeitos do ópio e do haxixe. No livro, o poeta francês analisa em dois ensaios os chamados estados de exaltação atingidos pelo uso de drogas. O artista Zé Armando, encantado pela obra de Baudelaire, resolveu levar as sensações que o escritor descreve para o mundo físico. Criou a instalação “Levare”, referência ao texto “Levare e a Nossa Senhora das Tristezas”, que integra o capítulo “Visões de Oxford” dentro de Paraísos Artificiais . A mostra está aberta par ao público na Galeria de Arte do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, a partir de hoje, dia 1º. A exposição tenta estabelecer uma relação quase que direta entre as imagens e as palavras de Baudelaire.

“Infeliz! Os vícios do homem, tão repletos de horror como supomos, contêm a prova (quando não fosse apenas a infinita expansão deles mesmos!) de seu gosto pelo infinito” – Paraísos Artificiais, Charles Baudelaire

O Poeta

Charles-Pierre Baudelaire (1821-1867) foi um dos maiores poetas do século XIX, influenciando toda a poesia moderna. Na sua obra, a vida da grande cidade transparece, fervilhante e caótica. Rebelde, foi ao mesmo tempo controverso e célebre no seu tempo tá repetindo tempo. Nomes como Mallarmé, Rimbaud, Flaubert, Victor Hugo, Balzac, Cruz e Souza e Olavo Bilac tiveram suas obras tocadas pelos versos do escritor francês.

Serviço

Exposição “Levare”, de Zé Armando, do dia 01/02 até 7/3, de 2ª a 6ª, das 8h às 18h, somente dias úteis, na Galeria de Arte do Fórum Lafayette (Av. Augusto de Lima, 1.549, Barro Preto, Belo Horizonte). Entrada franca