As ditaduras caíram como dominó e o povo tomou as ruas clamando por liberdade. O ano de 2011 já entrou para a história como a época em que árabes quebraram o silêncio. Além de sociólogos ou analistas políticos, a ficção também antecipava o movimento rebelde que invadiria essas nações.
Prova disso é a lista deste ano do Prêmio Internacional da Ficção Árabe. A iniciativa, idealizada por intelectuais da região e arabistas ingleses, reúne mais de 100 títulos a cada edição. Nos últimos cinco anos o principal patrocinador da honraria é uma fundação dos Emirados Árabes. O prêmio serviu para aquecer o mercado editorial e o nível de leitura nesses países, que não andavam na melhor fase. Na edição de 2012, são seis obras indicadas:
The unemployed (O desempregado, em tradução livre) – A história, assinada pelo egípcio Nasser Iraq, conta sobre um jovem recém saído da universidade que acaba se tornando garçom. Oprimido pelo pai e triste com o desemprego, Mohammad Zabal tem impotência sexual e vê sua auto-estima ir para o fundo do poço. O personagem representa uma geração sem perspectivas e descontente com o Estado.
The Women of Basateen (As mulheres de Basateen, em tradução livre) – O romance do tunisiano Habib Selmi retrata um pouco da vida de Basateen, um distrito de classe média da capital Tunis. O contexto revela insatisfação econômica e social, que contribui para o crescimento da religiosidade.

Druze of Belgrade (Druso de Belgrado, em tradução livre) – A primeira novela libanesa da lista foi escrita por Rabee Jaber. A trama retorna a meados do século XIX. Nessa época, centenas de drusos – uma restrita minoria religiosa na Síria e no Líbano – foram enviados pelos otomanos a prisões em Belgrado. A trama conta ainda o declínio dos otomanos e a ascensão das forças européias.
The Vagrant (O Vagabundo, em tradução livre) – O segundo libanês da seleção, idealizado por Douaihy Vagrant, tem uma abordagem mais contemporânea. A história traz identidades religiosas conflitantes e o peso da guerra civil no país. O personagem principal é um muçulmano criado em uma família cristã. Com a eclosão da guerra, ele não sabe de que lado se posicionar.

Toy of fire (Brinquedo de fogo, em tradução livre) – O argelino Bashir Mufti pinta um cenário de sangue e destruição na guerra civil que sucedeu o governo militar no país, período em que os generais comandaram com mãos de ferro.
Embrace on Brooklyn Bridge (Abraço na Ponte Brooklyn,, em tradução livre) – O segundo egípcio na premiação é de Ezzedine Choukri Fishere. O drama gira em torno de um professor da Universidade de Nova York que deixou Cairo spód perder a esperança em seu país por conta da situação política. Quando ele descobre que está perto de morrer de câncer, o protagonista deseja reunir a família e os amigos.