Outros lados de Gabo

Gabriel García Márquez – que completa 85 anos nesta semana – é um dos escritores mais importantes do mundo. De talento reconhecido na literatura e no jornalismo, sua obra Cem Anos de Solidão é considerada uma das pioneiras do realismo fantástico latino-americano. Muita gente desconhece, no entanto, outras facetas do velho Gabo. Metido até o pescoço com política, o romancista também é um visionários nos negócios e um entusiasta do futebol. E embora seja aplaudido de pé por intelectuais nos quatro cantos do mundo, tem um inimigo que mora ao lado. Veja algumas curiosidades sobre García Márquez:

Negócios – O colombiano tem uma habilidosa equipe de comunicadores. Eles ficam encarregados de divulgar informações e imortalizar o nome do autor. Antes que uma nota percorra toda Bogotá, já está circulando pelo mundo afora. Não é difícil, claro, que editores queiram o nome do autor nas páginas de seus jornais. Gabo é esperto: aproveita da sua fama para influenciar em questões do seu interesse, como as políticas.

Política – É simpatizante de movimentos revolucionários pelo continente. Sob a acusação de colaborar com a guerrilha na Colômbia, foi obrigado a se exilar no México nos anos 1960. Militante esquerdista, chegou a dizer certa vez que só publicaria nova obra quando a ditadura chilena caísse. Foi apoiador de Fidel Castro e dos ideais comunistas da ilha. Em 2006, aderiu juntamente com outros ativistas políticos ao movimento de independência em Porto Rico. Ao ser perguntado sobre sua vocação política, ele diz que talvez se interessasse menos pelo assunto em um lugar com menos problemas que a América Latina. Segundo o próprio, se tornou “um político de emergência”.

Inimizade – A América do Sul tem dois ganhadores do Nobel vivos. E um não olha na cara do outro. A briga entre García Márquez e Mario Vargas Llosa aconteceu há quase 40 anos. Relatam testemunhas que o peruano ficou com ciúmes de sua esposa Patrícia e desferiu um golpe no olho do ex-amigo. Poucos anos antes, Vargas Llosa havia escrito uma obra de análise sobre os textos do colombiano. Após a confusão, impediu que ela fosse publicada novamente. Nunca se soube o tanto que as motivações políticas pesaram na discórdia – naquela época Vargas Llosa “traiu” a esquerda e começou a defender o liberalismo. O peruano não explica nada e passa a bola aos biógrafos: “que eles descubram e pesquisem para dizerem o que se passou”.

Futebol – Gabo é um apaixonado pelo esporte bretão. Primeiro tentou ser goleiro, mas fracassou. Depois, como jornalista, assinou dezenas de textos sobre o tema. Um de seus ídolos, inclusive, foi o craque Heleno de Freitas. O jogador saiu do Botafogo e passou uma temporada atuando pelo Atlético de Barranquilla nos anos 1950 – época em que fascinou o jovem repórter. Por coincidência, a literatura sul-americana tem outro apaixonado pela bola: seu desafeto Mario Vargas Llosa.  Melhor que Peru e Colômbia não se encontrem durante a Copa do Mundo.

Top 10 de reclamações

Desde 2001, a American Library Association (ALA) divulga uma lista com os 10 livros que receberam mais reclamações formais ao longo do ano. Segundo a Associação, estes dados ajudam a mostrar a realidade da censura em bibliotecas e escolas norte-americanas.

Entre 2001 e 2010, foram feitas 4660 reclamações formais. Porém a Associação acredita que esse número não corresponde à realidade. A ALA considera que, para cada reclamação devidamente registrada, outras quatro ou cinco não são. Segundo ela, isso faz com que os dados não correspondam à real abrangência da situação.

Para se ter uma ideia de qual o teor dessas reclamações, 1536 foram feitas por conta de conteúdo sexual explícito; 1231 por causa de linguagem ofensiva; 977 por considerem a obra inadequada para a faixa etária determinada; 553 por conter violência; e outras 370 reclamações foram feitas pela obra supostamente apresentar conteúdo homossexual.

No site da Associação é possível ver quais foram as obras que receberam mais reclamações e quais os motivos mais frequentes em cada ano. A última lista divulgada é a de 2010, em que estão livros como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley (razões: insensibilidade, linguagem ofensiva, racismo e conteúdo sexual explícito) e até mesmo Crepúsculo, da autora Stephenie Meyer (razões: ponto de vista religioso e violência). A lista completa pode ser vista aqui.

A ALA também divulga uma lista com os 100 livros mais foram banidos ou receberam mais reclamações durante a década. Se considerarmos apenas os anos de 2000 a 2009, quem encabeça a lista é ninguém menos do que a série Harry Potter. Veja abaixo o Top 10 e entre no site para ver a lista completa.

1. Harry Potter (série), de J.K. Rowling
2. Alice (série), de Phyllis Reynolds Naylor
3. The Chocolate War, de Robert Cormier
4. And Tango Makes Three, de Justin Richardson e Peter Parnell
5. Ratos e Homens, de John Steinbeck
6. I Know Why the Caged Bird Sings, de Maya Angelou
7. Scary Stories (série), de Alvin Schwartz
8. Fronteiras do Universo (série), de Philip Pullman
9. ttyl; ttfn; l8r; g8r (série), de Lauren Myracle
10. As vantagens de ser invisível, de Stephen Chbosky

A arca literária

Todos conhecem a história da Arca de Noé: segundo o texto bíblico, o único homem justo da Terra recebe a ordem divina de construir uma grande arca para salvar a si mesmo, a família e um casal de cada espécie, do Grande Dilúvio. O que pouca gente imagina é que uma “arca” bem parecida está sendo construída atualmente – mas para abrigar livros.
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A história do século XX, na forma dos livros mais preciosos (e também daqueles que já foram esquecidos antes de juntarem poeira), está sendo guardada dentro de grandes contêineres em um armazém em São Francisco, nos Estados Unidos. A cada semana, 20 mil novos volumes chegam ao depósito, doados por livrarias e universidades que querem abrir espaço para a era digital. O Noé moderno se chama Brewster Kahle. O americano de 51 anos tem uma grande ambição: colecionar uma cópia de todos os livros. Sim, todos.
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Ele já investiu 3 milhões de dólares na empreitada e não parece se arrepender de nenhum centavo gasto. “Você nunca sabe o que vai pintar o retrato de uma cultura”, disse ao New York Times. Kahle é um entusiasta do compartilhamento e preservação de arquivos: é o fundador e responsável pelo Internet Archive, organização sem fins lucrativos que se dedica a preservar e disponibilizar páginas na internet – já são 150 bilhões até o momento.
A inspiração para a criação da Arca 2.0 veio do trabalho no Internet Archive, que já digitalizou mais de dois milhões de livros. Contrário à ideia de se desfazer das cópias impressas depois de reproduzidas digitalmente, deu início ao trabalho de coletar cada vez mais obras. Hoje já são 500 mil volumes – o objetivo é reunir 10 milhões. E ele agora também aceita filmes. 
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Nem todos concordam com a visão de Kahle. Pensam que a probabilidade de se perder todo conteúdo digital é muito pequena e não se justifica todo esse trabalho. Mas muitos têm achado conveniente doar suas bibliotecas pessoais para “um bem maior”. Além do registro dos livros recebidos, eles são enviados para a China, onde são digitalizados e estarão disponíveis para todo o mundo.

“Existiam diversas opiniões diferentes sobre o que a Internet seria, e uma delas supunha que a Internet seria uma grande biblioteca que ofereceria acesso universal a todo o conhecimento”, afirmou Kahle ao New York Times. “Estou trabalhando nisso”, completou.
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Hemingway nos cinemas

Quem vê o último título de Ernest Hemingway, Paris é uma festa, mal pode imaginar que o autor cometeu suicídio antes de seu lançamento. O melancólico fim de vida do escritor dará origem a um filme dirigido por Andy Garcia, ator norte-americano com raízes em Cuba. A ideia de desenvolver o projeto parte de ligações pessoais do artista. Garcia diz que sempre foi apaixonado por O Velho e o Mar, romance que Hemingway escreveu quando vivia na ilha.

Annete Benning será Mary Welsh, terceira esposa do escritor. Andy Garcia interpreta Gregorio Fuentes, grande companheiro e capitão do barco onde morou Hemingway. Para encarnar o protagonista, o escolhido foi o veterano Anthony Hopkins. A verba só apareceu após muito esforço. Andy Garcia batalhou ao buscar financiadores para o roteiro, escrito juntamente com Hilary Hemingway, neta do escritor. O interesse é que a estreia nos cinemas de Hemingway & Fuentes seja ainda este ano.

Nos seus derradeiros dez anos – parte da vida do escritor narrada pelo longa – Hemingway começou a sentir os efeitos de bebedeiras e excessos. Após uma temporada na Europa, o autor se mudou para Cuba e ficou amigo de Fidel Castro. Lá, também começou a se dedicar mais à pesca, seu hobby preferido. Nessa época ele também sofreu um grave acidente de avião e por isso teve que faltar à entrega do Nobel em 1954 – foi um dos poucos a ganhar o Pulitzer e a medalha da Academia Sueca. Em 1959, um ano e meio antes de atirar na cabeça, Hemingway deixou o país comunista e passou a viver recluso na cidade de Ketchum, Idaho. Depois de Mark Twain e Jack London, é o terceiro norte-americano mais traduzido na literatura.

Uma pizza por um livro

O motoboy sai para entregar as pizzas e, em vez de retornar com a moto vazia, volta com ela cheia: de livros. Parece inusitado, mas foi isso que aconteceu entre os dias 10 de janeiro e 10 de fevereiro deste ano, em toda a Espanha.

A ideia veio de um entregador da empresa Telepizza, que percebeu o potencial em todas aquelas motos voltando vazias. Uma parceria foi então firmada entre a rede de pizzarias, a companhia Aérea Iberia e a rede social ideas4all. A intenção era arrecadar livros e doá-los para bibliotecas da Colômbia. A conta era simples: para cada pizza vendida, um livro poderia ser doado pelo comprador.

A distribuição do material em território colombiano ficou por conta de uma ONG local. Estima-se que a iniciativa tenha atingido cerca de 120 bibliotecas no país, impactando a vida de quase 100 mil crianças e adolescentes.

O coração delator de Poe

“Uma história narrada por um louco que, como todos nós, pensava ser são”. É com essa frase que nos é apresentado O Coração Delator (The Tell-Tale Heart), o primeiro curta de animação recomendado “para maiores de 18 anos”. Lançado em 1953,  ele é inspirado no conto de mesmo nome escrito por Edgar Allan Poe.

Conhecido por sua habilidade para criar universos misteriosos e macabros, Poe é um dos grandes mestres do drama e do suspense. Sua obra já inspirou uma série de adaptações cinematográficas e, The Tell-Tale Heart, rendeu à UPA Productions uma indicação ao Oscar de Melhor Curta-metragem de Animação.

Como no conto sombrio de Poe, o curta traz a narração de um pensionista que conta como precisou matar seu senhorio que tinha um “olho maldito”. O assassino nunca é visto, mas sua presença é marcada por ameaçadoras sombras e pela crescente tensão. Assista abaixo (com legendas em português):

O conto que inspira a animação pode ser lido clicando aqui.

As 10 melhores cenas de sexo da literatura

Rowan Somerville é um autor inglês com dois livros já lançados: The end of sleep, em 2008, e The Shape of Her, em 2010. O seu maior feito literário até o momento foi ter sido escolhido pelo prêmio Bad Sex in Fiction Awards como o escritor da pior cena sexual de 2010.

Logo após receber o prêmio, o autor escreveu um artigo especial para o jornal britânico The Guardian, no qual selecionou os 10 livros que têm as melhores cenas de sexo já escritas. Veja abaixo a lista dos selecionados:

10 – Plataforma, de Michel Houellebecq (2003)
9 – A história de O, de Pauline Reage (1954)
8 – Um jovem americano, de Edmund White (1982)
7 – Thongs, de Alexander Trocchi (1955)
6 – Drácula, de Bram Stoker (1897)
5 – O amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence (1928)
4 – The Bloody Champber and Other Stories, de Angela Carter (1979)
3 – História do olho, de George Bataille (1928)
2 – Pétala Escarlate, Flor Branca, de Michel Faber (2002)
1 – Lolita, de Vladimir Nabokov (1955)

Para ver a justificativa para a escolha de cada uma das obras, basta ver o artigo completo (em inglês). E você? Já se deliciou com algum destes livros?

Livros para montar

Todo mundo sabe que é preciso muito talento para escrever um livro. Mas talvez pouca gente perceba a fina arte envolvida em sua montagem. Além dos livros artesanais, em que cada imagem e costura é fruto de um trabalho minucioso (como o que acontece na Tara Books), todo livro passa por cuidadoso trabalho de acabamento antes de chegar cheiroso e novinho às mãos do leitor.

 

O livro How to make books , de Esther K. Smith, não só conta um pouco do processo envolvido na feitura de um livro, como também ensina a fazer em casa suas próprias publicações personalizadas. De dobraduras e colagens a cortes e costuras, é possível transformar o passatempo em arte.

Quem se interessar pode adquirir o livro aqui.

Turma da Mônica em Graphic Novel

Os fãs da Turma da Mônica podem comemorar. Depois do projeto do MSP 50, com 150 artistas recriando as obras de Maurício de Sousa, quatro trabalhos vão ser transformados em Graphic Novels.

No total serão lançados quatro títulos: a história da Turma da Mônica será assinada por Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi; o Astronauta chega pelos traços de Danilo Beyruth; a épica aventura de Piteco é feita por Shiko; e, diretamente da roça, Chico Bento será retratado por Gustavo Duarte.

Ainda não há previsão de lançamento das revistas, mas as capas já foram divulgadas. Agora é só esperar pelas novidades.

O MSP 50 artistas
Em setembro de 2009 foi lançado o primeiro livro daquela que seria uma trilogia em homenagem às cinco décadas de carreira de Maurício de Sousa. Um grupo de 50 artistas dos quadrinhos nacionais foi convidado para criar, de acordo com o próprio estilo, as conhecidas aventuras da Turma da Mônica. Assim surgiu o Maurício de Sousa por 50 artistas, ou como é conhecido, o MSP 50.

Lançado pela Panini Comics, o primeiro volume traz desenhistas consagrados como Laerte, Angeli e Ziraldo dividindo as páginas com novos nomes dos quadrinhos nacionais. Segundo Sidney Gusman, editor chefe de um dos principais sites sobre HQs do Brasil e responsável pela edição do livro, o número de 50 convidados foi tão pequeno que eles precisavam de mais. Com isso, no ano seguinte, foi lançado o MSP +50, com novos autores, novas histórias e muitos estilos diferentes.

Para finalizar a trilogia, em 2011 foi lançado MSP 50 novos artistas, que encerrou um ciclo muito importante para os Estúdios Maurício de Sousa. Em entrevista, Maurício disse que uma ideia para 2012 é valorizar os desenhistas pratas da casa do Estúdio e lançar um livro parecido com o MSP 50.

Como os autores que desenham diariamente as histórias da Mônica e companhia não podem utilizar traços autorais nas histórias, o novo livro viria para valorizar o trabalho dessas pessoas. “Pode ser até que eu perca alguns funcionários da equipe de produção da Turma da Mônica com isso, mas sem dúvida ganharemos novos artistas do quadrinho brasileiro e talvez mundial”, disse Maurício.

Pela primeira vez, Clarice

A descoberta se deu há mais de 10 anos, quase que por acaso. O jornalista Vilmar Ledesma passeava pelo acervo da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, procurando de tudo um pouco. Em meio às andanças, chegou ao Diretrizes, jornal de Samuel Wainer fundado em 1938. Folheando aquelas páginas desacostumadas ao manuseio, encontrou, em exemplar de 1941, a matéria “Os Estudantes Brasileiros e a Literatura Universal”. O texto trazia como entrevistada ilustre uma jovem Clarice Lispector, que ainda estudava direito no Rio. Copiou a mão todo o texto – não era permitido fazer reproduções – e depois confirmou: se tratava da primeira entrevista da escritora nascida na Ucrânia, até então desconhecida.

Crédito: Vilmar Ledesma

A primeira entrevista de Clarice no caderno de Vilmar Ledesma

A entrevista foi posteriormente publicada no livro Encontros – Clarice Lispector, da editora Azougue, com organização de Evelyn Rocha. Como o Pra Ler garimpa por aí as últimas entrevistas de autores, e não poderia deixar de divulgar também o achado de Ledesma. Clique em Continuar a ler para conferir a entrevista conforme as anotações feitas pelo jornalista em 2002. E não deixe de passar no blog dele.

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