Todos conhecem a história da Arca de Noé: segundo o texto bíblico, o único homem justo da Terra recebe a ordem divina de construir uma grande arca para salvar a si mesmo, a família e um casal de cada espécie, do Grande Dilúvio. O que pouca gente imagina é que uma “arca” bem parecida está sendo construída atualmente – mas para abrigar livros.
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A história do século XX, na forma dos livros mais preciosos (e também daqueles que já foram esquecidos antes de juntarem poeira), está sendo guardada dentro de grandes contêineres em um armazém em São Francisco, nos Estados Unidos. A cada semana, 20 mil novos volumes chegam ao depósito, doados por livrarias e universidades que querem abrir espaço para a era digital. O Noé moderno se chama Brewster Kahle. O americano de 51 anos tem uma grande ambição: colecionar uma cópia de todos os livros. Sim, todos.
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Ele já investiu 3 milhões de dólares na empreitada e não parece se arrepender de nenhum centavo gasto. “Você nunca sabe o que vai pintar o retrato de uma cultura”, disse ao New York Times. Kahle é um entusiasta do compartilhamento e preservação de arquivos: é o fundador e responsável pelo
Internet Archive, organização sem fins lucrativos que se dedica a preservar e disponibilizar páginas na internet – já são 150 bilhões até o momento.
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A inspiração para a criação da Arca 2.0 veio do trabalho no Internet Archive, que já digitalizou mais de dois milhões de livros. Contrário à ideia de se desfazer das cópias impressas depois de reproduzidas digitalmente, deu início ao trabalho de coletar cada vez mais obras. Hoje já são 500 mil volumes – o objetivo é reunir 10 milhões. E ele agora também aceita filmes.
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Nem todos concordam com a visão de Kahle. Pensam que a probabilidade de se perder todo conteúdo digital é muito pequena e não se justifica todo esse trabalho. Mas muitos têm achado conveniente doar suas bibliotecas pessoais para “um bem maior”. Além do registro dos livros recebidos, eles são enviados para a China, onde são digitalizados e estarão disponíveis para todo o mundo.
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“Existiam diversas opiniões diferentes sobre o que a Internet seria, e uma delas supunha que a Internet seria uma grande biblioteca que ofereceria acesso universal a todo o conhecimento”, afirmou Kahle ao New York Times. “Estou trabalhando nisso”, completou.
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