Pra ler!

Desculpe o transtorno

14/12/2009 · 2 Comentários

O Pra ler! está em obras. Já não estava sendo atualizado com muita frequencia, né. Mas é justamente por isso que vamos ter mudanças por aqui. É só o tempo das férias chegarem (logo, logo) e esse lugar vai ficar mais organizado e os posts virão. Anote a promessa e aguarde.

→ 2 CommentsCategorias: Vem ai

Com os dias contados

29/11/2009 · 5 Comentários

Computador. Internet. Celulares. Tecnologias cada vez mais modernas, que trazem acesso à informação como nunca imaginamos ser possível. Estamos na Era da Informação. Mais, estamos na Era da Informação em Telas. Com tudo isso, veio também um boato. De início chegou baixinho, quase um sussurro. Hoje, é um baita dum grito que alardeia para quem quiser ouvir uma sentença de morte ao livro de papel.

A machadada mais recente foi o Kindle. Já ouviu falar? É um ipod para livros. Ele começou a ser vendido no Brasil em outubro, mas já é vendido nos Estados Unidos desde 2007. Nesse aparelho dá pra ler os livros na tela e armazerna até 1,5 mil obras. Bom, aí entra o primeiro problema (além do preço salgadinho, cerca de mil reais): os livros virtuais são comprados no site da Amazon, e ainda não tem nada em português. Entre aqui, no site do portal Uai, pra saber mais sobre o Kindle.

Mas essa história de morte do livro não lembra alguma coisa? Não soa um tanto familiar? Na verdade, já  ouvimos sentenças bem parecidas com essa. Sabe o rádio? Já era para estar a sete palmos abaixo do chão. Não bastasse ter ameaçado o meio radiofônico, a Tv ainda, de quebra, causou arrepios no cinema . O jornal impresso é, hoje em dia, o condenado à morte número 1 na fila de espera. Por enquanto, nenhum deles morreu, mas é um fato que todos mudaram para se adaptar à chegada da concorrência.

Com o livro não é muito diferente. Se há alguns séculos, a leitura era divertimento para a classe burguesa (que era quem sabia ler), hoje é a Tv e o computador que ocupam esse espaço. Reflexo disso é que viver da venda de livros não é fácil. Uma das maiores rede de livrarias do Brasil divide as suas lojas entre estantes, jogos de computador, DVDs, produtos de papelaria, material escolar e quase sempre um Café e uma lan house. É difícil achar quem venda só livros.

Mas os livros estão lá. Mesmo que sufocados entre uma mochila e um urso de pelúcia. E há quem compre. E há quem leia. Pelo jeito, é bom desconfiar dessa morte anunciada.

-

E pra não perder o costume de aproveitar aqui os trabalhos de faculdade, aqui vai o link do flirck com umas fotos que eu fiz pra uma disciplina de fotodocumentário. O título é: Tempo esgotado? E o tema é justamento o suposto fim do livro.

→ 5 CommentsCategorias: Curiosidade · Saindo do forno · fotos

Outros Mundos

15/11/2009 · 1 Comentário

alice-wonderland-caterpillar1

Essa imagem ilustra as páginas de "Alice no país das maravilhas"

O mundo de Alice é puro non sense. Depois que ela passa para o outro lado (seja do espelho, seja da toca do coelho) tudo vira uma sucessão de cenas loucas. Espaços que aparecem e desaparecem do nada. Personagens esquisitíssimos. E, convenhamos, o mundo criado por Carrol num é um tanto quanto sombrio? Não tem lá uma pitadinha de (não seria bem um pesadelo, mas) sonho angustiante? Também não seremos injustos. Alice é uma menina divertida. É uma mistura engraçada de criança temperamental com uma dama de fina educação inglesa.

Você sabia que houve uma Alice de carne e osso que inspirou Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dogdson? Seu nome era Alice Liddell e era filha de um colega de trabalho de Dogson. Ele lecionava matemática (quando eu fiquei sabendo disso, tive um pensamento bem preconceituoso. Como uma pessoa com a criatividade de Carroll, podia ser professor de matemática?! – confissão nem um pouco politicamente correta de uma pessoa que é de Humanas).

alice03

A Alice de carne e osso

Carroll adorava a menina e foi em um dos passeios que fazia com ela e suas irmãzinhas que ele inventou toda a história pra entreter as meninas. Pode admitir que passou pela sua cabeça alguma idéia maldosa sobre a relação de Carroll e Alice. Bom, você pode não estar de todo errado. Existem inúmeros boatos por aí. Dizem que Carroll nutria uma paixão platônica por Alice e que ele era pedófilo. Verdade ou não, nada chegou às vias de fato, pelo que sabemos.

Das letras às imagens

Hoje, faz 75 anos que a Alice real morreu. Mas a Alice de papel está vivinha da Silva. E vai até parar nas telas de cinema ano que vem. Quem está dirigindo o filme é Tim Burton. É aquele da Fantástica Fábrica de Chocolates, Planeta dos Macacos, Edward mãos de tesoura, Peixe Grande e suas histórias maravilhosas, o recente Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet e vários outros. É, uma rápida olhada nos filmes de Burton e já dá pra perceber que ele é uma boa escolha pra dirigir Alice no País das Maravilhas.

alice

"Alice no país das maravilhas", filme de Tim Burton

Quem vai estar no papel de Alice é Mia Wasikowska. Mas quem se importa com essa menina, quando temos Johnny Depp no filme (as meninas que lerem esse post vão me entender rs). Ele será o Chapeleiro Louco. (Saiba mais aqui)

Mia Wasikowska

Mia Wasikowska no papel de Alice no novo filme da Disney

chapeleiro1-300x274

Olha o Johnny Deep aí, gente!

Você sabia que não é só uma aventura que Alice vive, mas sim duas? As Aventuras de Alice são compostas pelo famoso Alice no País das Maravilhas e pelo Alice no país do espelho (ou Alice através do espelho). Ainda não acabei de ler o livro mais conhecido de Carroll. Então, tudo o que eu sei é o que a Disney nos mostrou no desenho animado. Já Alice através do espelho li para um trabalho de faculdade. O livro não é bem uma continuação. Não faz referência ao outro livro e pode ser lido de forma independente. Mas foi escrito depois, como uma segunda aventura mesmo.

Aproveitando o embalo, coloquei no Dica um texto sobre a segunda aventura de Alice. Esse blog vai ter overdose da menina dessa vez (isso poderia ser uma piadinha, se você pensasse no caráter meio alucinógeno das histórias de Carroll. Mas eu nunca faria uma piada ruim desse jeito). Bom, se você quiser atravessar o espelho, clique aqui.

→ 1 CommentCategorias: Autor + Obra · Quase uma relíquia · Vem ai

“Eu lia uma página nesse minuto…

07/11/2009 · 2 Comentários

… e, no outro, estava vivendo outra aventura. Era outra cena, outra situação. Podia estar no Nordeste com o Chico Anísio ou no Egito com um pesquisador de demônios; podia estar nas terras míticas com Jasão e os Argonautas ou vivendo o drama realista de um menino com o dedo verde – onde ele tocava nascia uma planta. Podia estar acompanhando o terror de um homem perseguido por um vingativo gato preto ou desvendando um crime com Sherlock Holmes.

Tudo era muito divertido. E tudo é muito divertido, pois a capacidade humana de criar, reinventar histórias e contá-las não tem fim. Eu gosto e lê-las e de criá-las. Acho que nossa vida fica muito melhor com elas.”

Trecho de um post muito legal (Como comecei a ler livros) do Luiz Biajoni  que saiu no site Amálgama. Dá uma passada . Vale a pena.

→ 2 CommentsCategorias: Pra ler agora

Oitavas de final

24/10/2009 · Deixe um Comentário

Os jogos da Copa de Literatura Brasileira (CLB) desse ano já começaram. Bom, pra relembrar: quem teve a idéia da CLB foi Lucas Murtinho, em 2007. A competição é inspirada no Tournament of Books, criado pela Morning News, uma revista eletrônica americana. Na CLB, são dezesseis livros que competem entre si nos moldes de uma copa mesmo (oitavas de final, quartas de final, e por aí vai). O livro ganhador segue na competição. Aquele que perdeu é eliminado. Cada jogo é decido por um jurado, que tem que justificar o porquê de escolher tal livro como vencedor e não o outro. Assim, o processo de escolha do melhor livro brasileiro do ano fica uma coisa transparente. E quem está do outro lado da tela do PC (no caso nós) podemos criticar as escolhas, dar opiniões, etc. Pra você entender melhor a idéia do prêmio, dê uma olhada nesse trechinho de uma entrevista concedida pelo idealizador da Copa para o site Digestivo Cultural:

“Espero que uma conseqüência desse prêmio que não se leva muito a sério seja um questionamento dos prêmios que se levam a sério demais. Será que um grupo de oito ou dez pessoas, por mais cultas e bem preparadas que elas sejam, é capaz de decidir qual foi o melhor livro do ano? Será que é possível dizer, de forma objetiva e incontestável, que um livro é o “melhor” de um determinado período? Vendo como a Copa pode ser injusta e imprevisível, talvez as pessoas reflitam sobre a injustiça e a imprevisibilidade dos prêmios literários em geral”.

E ele termina a resposta a essa pergunta, dizendo: “mas essa é a justificação filosófica da Copa, que no fundo é apenas uma desculpa para ler e falar de livros”.

A Copa é uma ótima maneira de saber o que anda sendo produzido atualmente. Eu acabo ficando muito presa a livros mais antigos (quase como que querendo recuperar o tempo perdido rs), sendo que tem muito livro bom saindo do forno. Vamos aos jogos, então.

Jogo 1

cordilheira 12566-Livro dos nomes

Cordilheira (de Daniel Galera) x O livro dos nomes (de Maria Esther Maciel). Juiz: Paulo Pozonoff Jr. Clique aqui pra ler a resenha.

No seu texto, Paulo não dá uma sinopse dos livros. Ele mesmo fala que está escrevendo pra quem já leu as obras. Pra você não ficar muito perdido, a história de Cordilheira gira em torno da viagem de Anita. Sob a sombra do término de um relacionamento amoroso e do suicídio de uma amiga, ela aproveita o lançamento de um livro na Argentina para passar uma temporada por lá. Agora em O livro dos nomes, cada capítulo do livro é a história de uma personagem, em ordem alfabética. São vinte e seis capítulos. As vidas das personagens se entrecruzam e o significado de cada nome (como num livro de nomes mesmo) tem relação com a personalidade. Muitas vezes o significado do nome é exatamente o oposto do que é aquela personagem. Maria Esther Maciel é professora da Faculdade de Letras da UFMG.

Paulo Pozonoff é jornalista, tradutor, escritor e curitibano. Aqui, seu blog.

Jogo 2

Areia nos dentes (de Antônio Xerxenesky) x O vencedor está só (de Paulo Coelho). Juiz: Fernando Torres. Resenha aqui.

Fernando conta um pouco do enredo dos dois livros no texto. Esse jogo pelo jeito foi uma disputa apertada. A impressão que eu fiquei foi que se pudesse não ter vencedor, esse seria o resultado rs. Arlequinal é o blog dele. Bom, na verdade, é um blog colaborativo, mas ele está lá. É advogado e escritor.

areianosdentes vencedorestaso

→ Leave a CommentCategorias: Copa de literatura

Júlio Verne

24/10/2009 · Deixe um Comentário

O Dica está atualizado já tem um tempinho, mas esqueci de colocar um post já aqui na entrada avisando.  =]

→ Leave a CommentCategorias: Vale a pena ler

Pitacos diferentes

13/09/2009 · Deixe um Comentário

O Dica está atualizado. E por outras mãos (ou seria teclado?). A Ju Afonso deu as caras por aqui com o texto sobre o livro Comer, Rezar, Amar , originalmente publicado no blog dela - Eu mundo a fora. Brigada, Ju!! Clique aqui pra ler.

→ Leave a CommentCategorias: Pra ler agora

Quem leva o caneco?

07/09/2009 · 1 Comentário

Não, nada de futebol por aqui. Só jogos, oitavas, quartas e finais. É a Copa. Mas não a de 2010. A de 2009 (hã???). Tô falando da Copa de Literatura Brasileira que tem todo ano, desde 2007. A idéia do site é colocar um livro contra outro – no esquema dos jogos de futebol – e a decisão de cada rodada é dos  jurados (um por jogo, exceto a final que todos julgam).

O negócio nem é escolher o “melhor livro brasileiro do ano”, é falar de livros,copa-brasileira-literatura como diz Lucas Murtinho no site. Os jurados expõem o porquê de cada escolha. O livro ganhador segue na competição. Aquele que perdeu é eliminado. E nós, leitores, nos divertimos com os “jogos”, mesmo não tendo lido os livros.

A tabela de jogos já está pronta, mas ainda falta um pouco para a Copa começar. Fique de olho. O Pra ler! vai trazer uma super cobertura do evento hehe.

→ 1 CommentCategorias: Copa de literatura · Curiosidade
Tagged: ,

O Inferno de Dante

30/08/2009 · 2 Comentários

Nada como um bom inferno pra fazer sucesso nos dias de hoje. Não estou falando de um inferninho qualquer. Não adianta ter só umas labaredas de chamas e um ou outro capetinha com tridentes. Não, senhor. Inferno bom mesmo tem que ter uma variedade danada (ãh, ãh, pegou o trocadilho?!) de castigos, vários tipos de demônios e uma ou duas bestas. Ah, e não pode faltar uma boa logística de infra-estrutura para receber os pecadores. Temos que admitir que poucos infernos atendem a esses critérios tão bem quanto o que Dante Alighieri criou. Nosso criativo autor nasceu no século treze, em Florença. Foi poeta, escritor e político e uma de suas grandes obras foi A Divina Comédia.

Já tem uns bons séculos aí desde que Dante pôs a cachola pra funcionar e criou a morada do Satanás. Mas ultrapassada ela não está de jeito nenhum. Tanto é que o Inferno de Dante vai virar jogo da Eletronic Arts (EA). Dante´s Inferno chega às lojas dos Estados Unidos no início de 2010. Antes disso, vai parar nas páginas das histórias em quadrinho. Em parceria com a EA, a DC Comics vai lançar em dezembro desse ano uma série de seis partes (texto de Christos Gage e ilustrações de Diego Latorre). No jogo, Dante vai atrás de Beatriz, seu amor platônico que morreu ainda jovem.

Mas e se você fosse se aventurar pelos nove círculos do inferno dantesco, o que encontraria? Mais embaixo segue um guia de viagem para você se divertir com o que Dante topou pelo caminho. Mas antes, deixa eu te situar na história:

Alighieri é ao mesmo tempo autor e personagem. Tudo começa com Dante na floresta da perdição. Há um caminho de saída fácil, mas ele não consegue seguir. Três feras o impedem. Chega, então, Virgílio – um poeta da antiguidade que é um dos preferidos de Dante – para dar uma mãozinha. Ele guia o personagem pelo caminho mais difícil: inferno, purgatório e paraíso. Cada uma dessas “fases” é um livro.

Nesse passeiozinho pelo inferno, Dante cruza com inúmeras figuras mitológicas (a obra mistura mitologia grega e crenças católicas) e com pessoas conhecidas na época. Aí está uma coisa interessante. Ele tromba com políticos, amigos, personalidades. E tudo isso no inferno. Entendeu que tenso?  E ele fala de qual pecado os conhecidos dele foram acusados, bate papo sobre política e tudo o mais. Quando chega ao círculo dos traidores, então… vixi, o tanto de conhecido político que ele encontra não tá no gibi.

Bom, agora que estamos devidamente informados… que venham os nove círculos!

full1kw

A saga de Dante

Ao entrar pela porta do inferno, Dante e Virgílio encontram o vestíbulo dos ignavos. Aqueles que não foram nem fieis nem rebeldes a Deus. Eles foram omissos em vida.  Esses são aqueles que Deus despreza e nem o inferno aceita. O castigo? Nus, são picados eternamente por moscas e vespas. Separando o vestíbulo dos círculos do inferno está o rio Aqueronte, um dos rios do inferno de Hades. Lá, o barqueiro Caronte transporta as almas ao outro lado.

Em todos os círculos, as almas vivem o castigo de acordo com o que fizeram em vida. Elas são obrigadas a cumprir uma ação contrária. Os primeiros círculos são para aqueles que cometeram pecados mais leves. Os castigos também são, digamos, mais brandos. Quanto mais se desce, quanto mais perto do coisa-ruim se chega, mais o bicho pega.

O primeiro círculo é o Limbo. Ali ficam aqueles que não tiveram a oportunidade de serem batizados. Vírgilio é um deles. Nasceram e morreram antes que a cristandade surgisse. As almas do primeiro círculo não têm castigo nenhum. Mas nunca poderão conhecer Deus.

Depois do Limbo, está Minos, rei da ilha de Creta quando vivo. Reza a mitologia grega que depois de morto, ele desceu ao inferno e virou juiz de almas. Ele dita o círculo pra onde a alma vai. No segundo círculo estão os luxuriosos. Eles têm como castigo ser arrebatados continuamente por um turbilhão, como em uma nuvem, já que em vida, deixaram-se levar pelos prazeres do corpo.

Lá pelo terceiro círculo ficam os gulosos. Também fica Cérbero, aquele cão de três cabeças que na mitologia grega guarda os portões do inferno. Hércules teve que enfrentá-lo no seu décimo segundo trabalho.  Pra quem não é muito chegado em Hercules, Cérbero também deu as caras (as três) no primeiro filme do Harry Potter. Os avarentos ficam no quarto círculo. Quem está de guarda ali na entrada é Pluto, deus das riquezas. Pelas bandas do quarto círculo, o castigo é empurrar grandes pesos, eternamente, enquanto vão se insultando pelo caminho.

No quinto círculo, estão aqueles que cometeram o pecado da ira. As almas ficam mergulhadas nas águas barrentas do rio Estige, que era um dos rios de Hades. Nele Aquiles foi mergulhado pela mãe quando bebê. Só o calcanhar ficou de fora das águas. O resto da história nós já sabemos.

Separando o círculo dos raivosos do sexto circulo. Está o Muro de Dite. A única passagem é uma porta que está fechada. Como se fosse pouco ter demônios impedindo a passagem, os dois viajantes ainda topam com Medusa e com as três fúrias – criaturas nada adoráveis que viviam no inferno dos gregos torturando as almas pecadoras. Um anjo vem abrir a porta para Virgílio e Dante. Ao conseguir passar, os viajantes chegam à morada dos hereges, o sexto círculo. Lá os pecadores são sepultados em túmulos flamejantes.

As ilustrações da Divina Comédia feitas Gustave Doré estão entre as mais conhecidas. Aqui, os suicidas.

As ilustrações da Divina Comédia feitas Gustave Doré estão entre as mais conhecidas. Aqui, os suicidas.

O sétimo círculo é a morada dos violentos. Quem guarda sua entrada é o minotauro. O espaço é divido em três sub-círculos. No primeiro, ficam aqueles que cometeram violência contra o próximo. Essas almas ficam mergulhadas em sangue fervente no rio Flegetonte, outro dos rios de Hades. Centauros ficam na margem, vigiando e flechando aqueles que tentam fugir.

No segundo sub-círculo, estão as almas que em vida cometeram violência contra si mesmo (os suicidas) ou contra seus próprios bens. Já que mostraram desprezo pelo próprio corpo, no inferno os suicidas perderam a posse do corpo de vez. Viraram árvores. Você pode pensar: ah, que tranqüilo. Ficar lá paradão o resto da eternidade. Até seria tranqüilo se fosse as hárpias. Já ouviu falar delas? Também da mitologia grega, elas são seres meio mulheres meio pássaros. No Inferno concebido por Dante, elas ficam lá, arrancando pedacinhos do corpo dos pecadores. Já quem não deu valor a seus bens materiais, é perseguido por cães ad infinitum.

Os que são acusados de violência contra Deus, estão no terceiro sub-círculo. Um lugar desolado, areia quente e fogo que cai como se fosse neve. Ali também ficam os que foram contra a natureza – para Dante, os sodomitas – e os que cometeram violência contra a arte.

Separando o sétimo círculo do oitavo, há um abismo. Por ali também fica Gerião, um gigante que, até a altura do quadril, tem três corpos. Ele foi morto por Hércules no seu décimo trabalho.

O oitavo anel é divido em dez sub-círculos, que têm em comum abrigar as almas condenadas por algum tipo de malícia ou fraude. Primeiro vêm os sedutores de mulheres, depois os bajuladores. Mais embaixo os que cometeram simonia, ou seja, venderam favores divinos, peças sagradas, cargos eclesiásticos, bênçãos, etc. No quarto sub-círculo os que se passaram por magos e adivinhos. Depois os trapaceiros que negociaram cargos públicos ou roubaram seus amos. Então, os hipócritas, ladrões, maus conselheiros, os disseminadores de discórdia e, no último sub-círculo, os falsários.

Os castigos de cada laia? Acompanhe comigo: os sedutores são açoitados pelas mãos de demônios. O destino dos aduladores é o esterco. Os simoníacos são atolados em buracos e os pés, que ficam pra fora, são queimados por chamas. Aqueles que se meteram a adivinhos tem o rosto virado pra trás. No quinto compartimento, os trapaceiros são mergulhados regularmente no piche fervendo (vale ressaltar que são demônios que fincam as almas e as mergulham no poço). O castigo dos hipócritas é vestir pesadas capas de chumbo dourado. Os ladrões são picados por serpentes, morrem e renascem para ser picados de novo. Os maus conselheiros ficam envoltos em chamas, no oitavo compartimento. Os disseminadores de discórdia – que não é tanto discórdia, é mais confusão – têm demônios armados com espadas no seu encalço. Por último, os falsários são punidos com úlceras e feridas ardentes. Ufa! Haja criatividade pra tanto castigo.

Doré nasceu em 1832, na França. Essa ilustração retrata o círculo dos traidores.

Doré nasceu em 1832, na França. Essa ilustração retrata o círculo dos traidores.

O que separa o nono círculo dos demais é o poço de gigantes rebeldes. Dante diz que eles são horrendos. Eu tendo a acreditar. Horrendos ou não, um deles foi até gentil. A pedido de Virgílio, coloca os dois poetas do outro lado do poço.

Ah, agora estamos em meio à gente muito boa. A nata do inferno. Os que têm o prazer de estar mais próximo do capetão-mor. Os traidores. Para essa galera especial, um castigo também diferente. O que mais se vê no inferno? Fogo, não é? Por aqui, o que aflige pecadores é gelo. Eles estão mergulhados em gelo até os olhos.

O nono círculo é também dividido. Dessa vez em quatro partes. Na primeira zona, ficam aqueles que traíram o próprio sangue. Na segunda, as almas que traíram sua pátria ou partido (quantos políticos hoje em dia não viriam pra cá, heim?). Aqueles que traíram os amigos vão para a terceira zona. E por último, as almas que traíram seus senhores ou bem feitores.

Bem no meio da última zona está Lúcifer. Ele tem três cabeças e, em cada uma das suas bocas, ele mastiga um grande traidor da história: Judas, Bruto e Cássio – esses dois últimos mataram Júlio César.

Para chegar até o purgatório, onde Beatriz o espera, Dante tem que atravessar as costas peludas do Diabo rumo ao centro da terra.

Game Over. Mole, mole, não?

→ 2 CommentsCategorias: Autor + Obra · Curiosidade · Quase uma relíquia · Vale a pena ler
Tagged: , , , ,

Saramago na web

04/08/2009 · Deixe um Comentário

jose_saramago01 Saramago tem um blog. E desse blog surgiu um livro – O caderno, que reúne os textos que estão onlines. O portal da Folha Ilustrada trouxe uma matéria sobre o livro, colocando algumas coisas interessantes. Veja um trechinho:

O Caderno (Companhia das Letras, 224 págs., R$ 45) é, de certa forma, uma contradição em termos. Quem quiser consultar o blog do escritor José Saramago pode acessar diretamente na internet o endereço caderno.josesaramago.org. Então qual é o sentido de reunir em livro seus posts escritos entre setembro de 2008 e março de 2009? Os textos são os mesmos, a ordem cronológica permanece, não há apêndices.

Mas, como Saramago é Saramago, a publicação virou um acontecimento e gerou polêmica que correu o mundo, por conta das impertinências do autor contra políticos”. Se quiser ver o texto completo, entre aqui.

Nem precisa ficar falando muito quem é José Saramago. Todo mundo sabe um pouquinho sobre ele. Aqui você descobre mais sobre o escritor e aqui mais sobre suas obras.caderno

→ Leave a CommentCategorias: Autor + Obra · Saindo do forno